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Diz-nos o dicionário, a propósito de humor, que o seu significado está traduzido na disposição de ânimo, temperamento, índole, ou veia cómica… Mas suspeito, que os Humores propostos pelo Jorge, não nos querem fazer rir. Também não estão dirigidos a uma emoção forçada ou falseada do olhar no momento de com eles sermos confrontados.

Estes Humores convertem-se, nesta nova proposta, numa intenção de reflectir sobre algumas tensões que já vinham lançadas no indício e na pronúncia, que nos era sugerida pela anterior exposição Are You Redy?

O que nos é apresentado neste conjunto é, no limite, o depurar de algumas formas e cores (reparem que uniformizou e se tornou consensual no formato das suas telas; os seus cantos já o são! – Ou será que são recantos?).

Nos ambientes que anteriormente nos sugeriu, conseguiu resgatar inspiração maior para nos envolver. Capturou-nos nas memórias que ainda guardamos desse passado tão presente, para nos convidar a ocupar os “cenários” que para nós construiu. E o desafio que antes nos houvera lançado encontrou aqui uma nova fase. Neste momento, as regras que nos são lançadas são outras. Se antes não nos era permitida a indiferença ou o distanciamento, desta vez é ainda mais complicado mantermo-nos longe. Estamos mais perto, porque estamos dentro. Claro que cada um de nós, junto do artista, pode procurar o sítio onde pretende fantasiar mas sem antes fazer a escolha do “lugar”. E não há “veia cómica” neste processo, porque a opção é séria… ainda que diluída na suavidade das suas cores, nos percursos estreitos e doces das suas linhas afirmadas ou ténues, traçadas nas suas técnicas “delicadas”, mas atentas.

“O mundo do sentido transmitido é oferecido ao intérprete, ao mesmo tempo que o ilustra sobre o seu próprio mundo”, diz-nos Habermas.

E nestas palavras fica desvendada a intenção deste escrito. Nelas revi o espírito com que visitei o atelier do Jorge. Por no olhar com que espreitei a sua intimidade ou a intimidade das suas obras, me sentir confortado e confortável.

No passeio que todos fizermos diante de cada uma das suas peças, deixaremos uma marca, traçaremos alguns dos nossos sonhos, ilusões e fantasias… talvez por no humor não sermos capazes de rir, por que os Humores não eram esses! E conseguiremos partir, ou deixar-nos ir, embalados pela história que nos contou.

E ainda somos capazes de encontrar a sedução com que nos posicionou anteriormente, talvez mais serena e calma. Penso eu que por se terem abrigado e protegido em cada um dos ambientes que estes Humores nos proporcionam. Ou será que somos nós que os inventamos e habitamos em função do nosso estado de espírito?

Não sou capaz de evitar… com um sorriso (sem gargalhar!) já sei qual é a minha tela preferida, onde vou ficar e reinventar esta minha visita, este meu encontro, esta minha ilusão ou fantasia de fazer ou ser parte dela!

Humores | 2005
A série “Skin” de Jorge Ramos constitui-se a partir de uma conjunção de matérias/suportes cuja primeiro impacto é o paradoxo e a inversão de valores que estabelecem com a iconografia nelas inscrita ou com o vazio dos espaços “brancos”. De um lado a pele das “bestas”, imaculada, sem marcas, e acoplada em simetrias tão perfeitas que despistam tanto a manufactura a que foram sujeitas,  como a sua origem orgânica,  em contraste com o suporte mais tradicional da pintura – a tela –  esta servindo de fundo à representação de uma pele que vagamente cobre  a carne irrigada e palpitante, que lhe empresta ,assim, uma vida fingida através da “veracidade” do “trompe l´oeil” fotográfico. O orgânico e o inorgânico dos suportes, (onde também se inclui o plástico), despistam as suas origens e invertem-nas através da ausência ou da presença ainda de outros sinais de vida – os orifícios. O umbigo: indíce de alimentação e da ligação matricial, o anús: indíce de purificação do corpo e de muitas outras ligações, sendo através de ambos que  se insinua um corpo que tanto nos parece querer  expulsar como nos parece querer incluir.

Num segundo “insight” , a forma fragmentada como o corpo se revela ou apenas se sugere confronta-nos  com uma forma invulgar de auto-retratação, espécie de paródia  ao egocentrismo que o auto-retrato liminarmente sempre  representa, o autor concentra-se nesta série efectivamente no seu umbigo? ou em qualquer outro umbigo? É a sua carne que convive com a pele dos animais”? ou apenas mais pedaços  de uma carne tão ou mais anónima do que a que já viveu sob os retalhos de pele que lhes serve moldura. A tela transmuta-se em pele e carne,  a carne impressa na tela (flesh) transmuta-se em carne (meat), da mesma forma que a pele das bestas, trabalhada de forma tão perfeita,  insinua mais a acção de uma máquina do que a de um corpo.

A  “despersonalização” propositada  da obra e do autor, a hibridização entre o mecânico e o manual, a  indeterminação entre o único e o múltiplo, a confusão entre o indivíduo e a substância colectiva e entre  a  “besta” e o humano,   simulam-se através de uma falsa mecanização e repetição das formas, mas sobretudo  através das presenças  fragmentadas e intercaladas entre  um corpo vivo  e uma pele morta, que o limita, prende e regula (através de cintos e fivelas). Fragmentos de um corpo, apolíneo e dionísico,  que a  todos  pode pertencer  e, por isso, nunca se poderá saber, realmente, de quem é.

Skin | 2013

Em essência, o gosto traduz-se na imprevisível expressão de uma diversidade de emoções. A reacção do público, por inerência ao lugar de espectador, na relação com a obra do artista, sobrepõe-se ao espectro de todos os interesses associados aos mais diferentes meios. Pode fundir-se nas formas, nas técnicas, nas cores, nos suportes, nas intenções dos gestos do criador, assumindo quase sempre uma dimensão exterior a todos os actos ou processos de criação. É como se a obra transportasse em si mesma, a possibilidade e a prática da sedução, cativando acertadamente o amante desprevenido. E a paixão que daí resulta não encontra limites na escrita que acompanha toda ou qualquer necessidade de transcrever o que não se diz.

Ainda assim, na proposta que Jorge Ramos nos apresenta, somos cativados a expor-nos diante da sua “mecânica”. Numa paleta suave mas marcada de cores, a sua composição cromática deixa-nos descontraídos mas embrenhados no movimento articulado das suas figuras. É como se todos fossemos diluídos nos gestos que ficaram mapiados pelo movimento do pincel, ou pelo ajustar da sua “Trincha Mágica”, enquanto objecto representado – o mesmo que o próprio artista descreve como sendo um elemento eléctrico, com múltiplas funções, capazes de assegurar rapidez e ou instantaneidade. O movimento que nos proporciona, revela-se também, numa técnica curiosa que combina a arte de pintar e a dedicação do bordar. A meticulosa atitude de “traçar” as suas telas com esta prática demonstra bem a entrega do artista.

Quase todas as suas composições nos obrigam a uma reflexão em termos de “disponibilidade”, que também é a de cada um de nós. Em função de todo o quotidiano, nos limites que reclamamos à modernidade, fazem-nos vacilar entre a velocidade e a intensidade. São razões que apuram uma conjugação vasta de corpos ou objectos representados, resultante dos interesses que o artista deseja ver contemplados. São frutos poéticos associados à solidão, ao afecto, ao sexo, ao amor, mas que se relacionam em oposição com o frio, com o off das máquinas, ou com a fracção das narrativas propostas pelo Jorge. É como se o tempo ou o espaço dos sentimentos ou das emoções, fosse quebrado pela separação formal de cada um dos seus quadros; e a tentação é transportada pelo desejo de não os ver nunca separados.

Gosto dos ovos. Aprecio as intenções de os “compartimentar” num registo imediato (na acepção de lhes dar lugar ou espaço), ou de no imaginário poder devorá-los. É a vontade de fazer parte da sua composição ou de a ingerir em fúria; como se num gesto descontrolado do tempo e das suas hipóteses, todos fossemos na realidade, transportados nos ponteiros gastos de um relógio.

Ready, anuncia-se, mostra-se e expõe-se capaz de apaziguar aqueles que não acreditavam. É também capaz de fazer explodir em fúria todos aqueles que não seguirem as instruções ou os manuais das suas “máquinas” engenhosas e temperamentais. Pronto está o artista para prosseguir, para nos cativar, mesmo em pormenor. Arredem-se aqueles que não forem capazes de converter ou assimilar esta dinâmica, porque tudo está a postos. O dispositivo está montado, a indiferença também não é permitida, cabendo a cada um o gesto ou a possibilidade de fazer funcionar este magnifica “engrenagem”. Aventurem-se e sigam todas as instruções que o desafio é para todos. Estão prontos?

Ready | 2006
Texto | Alexandre Gonçalves | Lisboa  | Novembro |2003

Gosto das flores. Gosto dos bichos. Gosto dos bichos que são lobos. Também gosto das aves, das aves que são pássaros. Gosto dos esquilos. Gosto das linhas que nos ligam na visão que o Jorge assume do seu imaginário. Trata-se do imaginário de todos os referentes, que desta vez no remete para a infância. Nele, também nós somos capazes de nos identificar, de nos reencontrar.

Retratamo-nos e somos retratados por ser nessa linguagem que estes novos trabalhos dialogam e comunicam. É assumidamente uma etapa auto-representativa de toda a sua personalidade, de todos os seus desejos e da dimensão especular que ele próprio encontra no seu interior.

Trata-se de um trabalho que vai muito além do retrato ou do auto-retrato, por nele o artista encontrar o veículo para nos transportar para além da sua própria imagem. Na verdade é ele, mas é ele em muitas outras histórias que também podem ser nossas; é disso que trata a citada auto-representação.

Não existem grandes artifícios nem máscaras de outros, por serem sempre suas, as expressões que sobrevivem nas diferentes narrativas que nos propõe. E ouso recorrer à ideia de sobrevivência por acreditar que todos nós podemos resgatar nesta dinâmica de relações, forças para ir mais longe.

Na verdade, talvez seja esta uma ideia ou um esboço demasiado simplista do meu olhar, que podem pecar pelo exagero. Ainda assim, arrisco olhar para ver. Creio que é uma observação naïf, que em alguns momentos pode até tocar o kitsch. Veja-se que me entrego às cores quase garridas deste cenário. Também me dou aos beijos e posso perfeitamente perder-me, saltando de um quadro para outro, de vida em vida, assumindo novos papéis.

Esqueçam-se dessa dimensão de espectador e encontrem-se por ali, numa destas telas, bem embrenhados numa fábula nova, onde o Jorge nos leva pela mão.

Peolpe of the loom | 2009
Texto| Alexandre Gonçalves | Lisboa | 2008

É uma história de f e t i s h esta, um jogo de palavras e de traduções do fett-gordo, do ich-eu, numa possível transposição significaria, qualquer coisa como: ich bin fett . Billy não quer dizer com isto, que se sente gordo mas sim "afrontado" enjoado, enjoava às vezes de tanta cor e textura, com os temas que falava, com os jogos de sedução como as tentativas de prazer... Está perante páginas de um livros para colorir, desta vez para adultos onde a funcionalidade do tema transporta-o para diferentes contextos.

A história é equiparada ao sexo, inevitável para todos e que eventualmente lhes podia dar prazer ou não...e é precisamente nesse se não, que Billy se quer debruçar... Por simplesmente estar afrontado... Os símbolos que Cindy representava eram uma alegoria ao prazer e à diversão... O prazer da compra de umas sapatilhas para fazer ballet. Paul tem um trevo branco desenhado no pescoço e regista retratos de objectos de desejo. Usa habitualmente uma mala de viagem. Tinha o impossível dentro... O desporto proporciona-lhe prazer, tão intenso quanto o sexo. Quando bordava lembrava-se de muitas coisas, às vezes lembrava-se da avó a fazer croché, lembrava-se dela na prática desta mecânica obstinada... Lembrava-se da mãe e da irmã que não era nada dada a essas coisas e pedia-lhe receitas pelo telefone.

Billy fazia auto-psicanalise em formato de bordado... Viajava por muitos e diferentes imaginários, conseguia transportar-se para cenários que tinha passado anos antes, recordando-se do mais ínfimo pormenor, viajava por algo que aconteceu e por algo que estava para acontecer, bordava ansiosamente o seu raciocínio, equacionava o acto a tarefas que tinha quando fazia o jantar na cozinha da Tuxa.
Quando estava por lá, tinha momentos criativos e recambolescos, dava largas á imaginação...
Um jogo ligeiramente obsessivo. Billy parecia estar na loucura dáva-se por vezes a controlar a disposição dos objectos para conquistar, a tal composição. Arrumava os seus neurónios empecilhados como os fios de um bordado… Às vezes conseguia outras vezes, cortava o fio...

Tuxa surge de repente a cavalo. Para além de se divertir também corria perigos... Também podia voar, também se podia magoar tal como na relação que tinha com Bill, amorosa ou de amizade era preciso saber realmente, andar a cavalo. E ela sabia. Sabia regar amizades ou então regava as plantas certas, ás vezes também encontrava cactos que não precisam de ser regados. Ela tinha um lobo e um cão que adorava, o seu melhor amigo mas que eventualmente lhe mordia a orelha. Era um cão bonito e muito, muito perigoso. Usava uma coleira verde. A orquídia está no seu esplendor, quase que minuciosa e o bambu verde exibe a sua robustez. Cindy tinha umas mamas esculpidas comprou-as há um mês... Comprou-as mamas e o soutien quase no mesmo dia. Kate não comprava sexo e Bill sentia-se deslumbrado pela beleza das mulheres que tinha em sua casa.

Fet Ich | 2010
Sobre a mesa há quarenta peças, quarenta pedaços de um mesmo corpo, no entanto estamos convidados a agrupá-los em conjuntos de quatro e conseguir assim dez representações contínuas de um mesmo personagem…ou talvez não.
Jorge Ramos propõe- se habitar a pintura,  e pintar é  parar a pensar e fazer daquele pequeno corte de tempo,  uma nova variação transversal em tempo real. Vem aí o tempo.
Jorge Ramos propõe-se igualmente falar de pintura e do acto de pintar e de como o gesto se constrói e é capaz de formar uma imagem aberta à interpretação, ao jogo e à reconstrução de novas narrativas. A figuração, a abstração, o retrato e a melancolia do ser humano desconstruido no seu próprio reflexo surgem em cada  fragmento da tela.
Diante da tela , também se reflete o tempo. Há tempos mortos, na vida de todos nós, em que paramos e pensamos, talvez refletidos no claro-escuro de uma vitrine, se esse que se desenha no reflexo do vidro é na realidade aquilo que queremos projetar aos outros.
Esse pequeno pensamento que surge e que é uma armadilha do tempo, vem associado a uma imagem difusa que se mistura com milhões de informações paralelas , o que faz com que esse instante chegue a ser algo difícil de ler e por  consequência fácil de esquecer. No entanto esse pensamento mantém-se colado em alguma parte escura de nós e resurge em determinados momentos de lucidez, como querendo recordar-nos que somos aquilo em que nos convertemos. E aquilo no que nos convertemos não é senão o reflexo de um eu construído em partes desiguais por pedaços dos outros.
Essa dialética lacaniana do espelho, é a proposta que Jorge Ramos nos faz…. e nós próprios temos que saber se a compor ou descompor , e fazer de tudo isto um exercício de auto-retrato: isto é, se queremos costurar as diferentes partes do corpo à base de pespontos, com a intenção de ocultar os avessos e dar a sensação de ser um corpo de uma peça só. Um corpo, ao mesmo tempo social, alimentado em fabulas clássicas, como contos cheios de moral, tão entranháveis como trágicos e cheios de alegóricos personagens que somos nós e que são no fundo...também os outros.
Os outros.
Esse “corpo sem órgãos” é sem dúvida o nosso pior inimigo e no entanto inspira-nos uma certa ternura e olhamos para ele como se de um irmão se tratasse. É um reflexo que nos produz medo e ternura ao mesmo tempo. É um autentico farsante e no entanto revela-nos a nossa verdadeira essência humana golpeando-nos na consciência cada vez que vemos refletido a nossa imagem no claro-escuro do vidro.
E no entanto esse mesmo meio demonstra-nos que isto não é assim tão possível, já que os defeitos muitas vezes são mais sugestivos do que as próprias virtudes.
On the table there are forty pieces, forty pieces of the same body. We are invited to group them in sets of four and achieve ten continuous representations of the same character ... or maybe not.
Jorge Ramos aims at inhabiting the painting, and painting is to stop and think and transform that little frame of time into a new cross-sectional variation in real time. Time is coming.
Jorge Ramos also aims at talking about painting and the act of painting and of how the gesture is performed and is able to create an image opened to interpretation, to the game and to the reconstruction of new narratives. The figurative, the abstract, the portrait and the melancholy of the human being deconstructed in its own reflection appear in each fragment of the canvas.
In front of the canvas, time is also reflected. There are dead times, in the lives of everyone, when we stop and think, maybe reflected in the chiaroscuro of a showcase, if the image that appears in front of us is, in reality, what we wish others to see.
That glimpse of a thought that arises and that is nothing but a trap of time, comes associated with a scattered image that blends with millions of parallel information, which causes that moment to be somewhat difficult to read and therefore easy to forget. However, that thought still remains in some dark part of our inner self and emerges in certain moments of self-awareness, almost as intending to remind us that we are whatever we might have transformed ourselves into. And what we have transformed ourselves into is nothing but the reflection of “the self” further transformed by the combination of uneven parts from pieces of others.
The Lacanian dialect of the mirror is the suggestion that Jorge Ramos makes us and it is up to us to decide whether to compose it or not, and make of all of this an exercise of self – portraying: if we want the different parts of the body to group in a somehow loose way, with the intention of hiding the back part of them and giving the suggestion of it being a whole piece. This whole piece, having been influenced by classical fables, representing moral tales - as entangled as tragic and containing allegorical characters – are, at the bottom, all of us and the others.
The others.
That "body without organs" is undoubtedly our worst enemy but nevertheless it inspires in us a certain tenderness and we look at it as if we would be looking at a brother. It is a reflection that simultaneously produces fear and tenderness. Being deceitful it, however, reveals our true human essence, stabbing us in the conscience each time we see our image reflected in the chiaroscuro of the crystal.
And yet this same means shows us that this is not completely possible, since the flaws are often more visible than its own virtues.

Text | Juanluis Toboso | Porto | Março 2012
Lovebird vive num dilema. Apetece-lhe cantar, chilrear, mas sabe que na cidade é melhor ter um comportamento rectilíneo. Tem de se adaptar aos ruídos do ambiente. Onde vive, no campo, misturam-se cheiros e cores até mais não.
Aí consegue ser selvagem e amoroso. Como se fosse absolutamente livre. Nos sonhos, o que lhe vem à cabeça são ondas que fazem massagens ao corpo. Apesar do imaginário ser dominado pelo azul, estalam na sua cabeça cores fortes como o vermelho. O sonho metia água. A impossibilidade de sobreviver dentro dela, excita-o. O impraticável, atiça o desejo. Lá fora, as contrariedades e o consequente stress exigem travão. Yoga, passeatas a pé, uma boa tarde entre oxigénio oferecido pelas árvores pode dar uma ajuda
Lovebird está agora mais calmo, entre folhas e troncos, que um dia se converterão em livros de papel. Como um apaixonado que se preze, tem sempre um jantar sofisticado pela frente. Pode ser hoje ou amanhã? A camisa mais vincada está pronta. Com ou sem gravata estará lá. Vai levar uma poção de boa disposição consigo.
Depois de uns copos de vinho e porque a conversa estava boa, Lovebird percebe que o sangue corre pelas veias mais do que é costume. Algumas ideias sobrepõem-se à conversa que flui com rendilhados. Lovebird está apaixonado. Na colcha da cama vê chupa chupas em vez dos desenhos que sempre lá estiveram. Ela não quis vir. Mas lovebird trouxe-a na sua cabeça. De manhã, vira-se a pagina e tudo parece possível. E o dilema volta a dar de si.

Lovebird | 2007
Texto| Dina Margato.

Humores | 2005
Ready | 2006
Lovebird | 2007
People of... | 2009
Fett Ich | 2010
Skin | 2013
Dharma | 2015
Legos | 2012